sábado, novembro 01, 2008

A propósito do dia de hoje ...




Há dias fui a um velório, ou melhor fui dar um pouco de conforto a uma ex-colega que acaba de perder o único irmão.

Há no entanto uma coisa à volta destes actos solenes que sempre me chocou imenso: as ofertas exageradas de flores que por vezes orçam as centenas ou até milhares de euros!!!

Só para dar um exemplo, soube por acaso que só 2 das coroas que inundavam a capela onde jazia o corpo, tinham custado 500€!!!


O que me impressiona é ver que mudaram os tempos, mas não os hábitos das pessoas, que mesmo quando os corpos são cremados, mantêm o ritual, decorando as capelas mortuárias com resmas e resmas de flores, o que me levanta a seguinte questão: Terminada a cerimónia, que destino será dado a tudo aquilo???

Devo dizer que não é de hoje que reparo e reprovo este consumismo baseado em aparências. Lembro-me de em miúda me aperceber que alguns habitantes da minha aldeia vestiram na mortalha o único traje novo que tiveram em toda a sua existência.

Que mundo louco, este em que vivemos.


28 comentários:

Menina do Rio disse...

Esqueceu dos que enterram jóias com seus mortos, os jazigos de mármore Carrara... Me pergunto: Será que a morte vale mais que a vida? E refiro-me unicamente à matéria, porque a alma; essa não nos pertence...

Um beijito!

Teté disse...

Exibicionismo, em coroas de flores para mortos, parece-me um desperdício de ostentação: nem os defuntos as cheiram, nem os outros as vêem no meio da molhada.

Vou a velórios ou cemitérios, apenas e simplesmente para abraçar os familiares desgostosos. Às vezes, nem conheço a pessoa que faleceu. Só uma vez por outra, vou em homenagem ao defunto. Levo uma florinha, um raminho de flores ou nada. Não me parece importante...

Mesmo que tivesse muita vontade, também não tinha esse dinheiro para gastar! Enfim, mas cada um sabe de si...

Jinho, nina!

Laura disse...

Ai nina pascoalita, eu por vezes fico a olhar pra tanto luxo e a pensar pra dentro, estas flores davam de comer a uma familia numa semana e por ai fora, mas, as pessoas não querem saber nem pensam que o morto nem as cheira...é apenas uma forma de consumir e o povo não se apercebe disso, eu quando posso levo uma rosinha ou duas ou...nada...e nem me ralo que me olhem de mãos vazias se no coração tenho a amizade que me unia à pessoa...
E nos cemitérios há exagero também, e nas campas nos mármores. Já pedi aos filhos que além de ser cremada...mas se não der...que me ponham numa campa rasa sem artificios e marmores em cima...quando vou ao cemitério e costumo ir visitar algumas amigas e amigos que lá estão, vejo cada monumento que s eo morto estiver mal morto, decididamente nunca conseguirá sair dali com os milhares de kilos de pedras que tem em cima. Apre. um ji e um dia bom..

Pascoalita disse...

O meu pai faleceu há 5 anos. Desloquei-me à Beira Alta e parei em Celorico da Beira com a intenção de comprar um ramito de flores.

Acontece que as duas casas que há na vila estavam fechadas para almoço ... o meu pai foi teve no caixão um único ramo de rosas que a minha tia, cunhada dele, levou.

E não fizeram a menor falta!!! O coitado nunca teve um mimo em vida.

Aconteceu praticamente o mesmo com a minha mãe há 3 anos. Eu levei apenas 1 rosa branca e uma vizinha juntou algumas rosas do seu próprio jardim.

Sou de opinião que o que há a fazer às pessoas é em vida ...

Pascoalita disse...

Olá menina do rio :)*

É verdade! Mo passado fazia-se o culto da morte e ainda hoje há povos que se despedem do corpo em festa.

Ainda há quem faça questão de levar os seus haveres para o outro lado ahahahah

jinhos nina

Cusquinha endiabrada disse...

"O que farão a todas estas flores???"

Essa pergunta nem parece tua, pascoalita ...
Claro que as flores são recolhidas e vendidas novamente, ora!!! eheheheh

Pascoalita disse...

Teté,

Nem sempre será por razões exibicionistas. As pessoas estão fragilizadas e muitas talvez o façam num derradeiro gesto de amor para com o ente que parte.

As floristas, assim como outros serviços do meio aproveitam-se disso.

Bem sei que é um negócio que mantém alguns postos de trabalho, o que é importante, mas comigo não têm muita sorte, já que o máximo que compro é uma flor.

Mas continuo intrigada: Onde ficarão as flores, no caso das pessoas que são cremadas?

Jinho miúda linda

Pascoalita disse...

Laurita,

Quando era miúda a minha mãe referia um provérbio assim:

"Não há casamento pobre, nem mortalha rica"

Obviamente que o proverbio só tinha em conta o lado sentimental e está há muito ultrapassado, já que há uma diferença abismal entre uns e outros. Apenas a MORTE propriamente dita é de facto igual para todos.
Bem, nem quero imaginar o que seria se esta se pudesse contornar através de bens materiais ... ainda há coisas bem fewitas neste mundo ahahah

Pascoalita disse...

Só ultimamente tenho estado mais próxima destes actos, mas nos curtos momentos que costumo permanecer nos locais tenho observado coisas bizarras que vão de viúvas impecavelmente vestidas penteadas e maquilhadas a autênticas "cenas de teatro dramático" com carpideiras em acção e tudo eheheh ... nesses momentos, creio que se pensa em tudo menos no falecido.

Ainda sobre o funeral, na minha opinião, o Estado devia suportar integralmente o custo das despesas, que deviam ser o mais simples possível.

Quem quisesse luxos, arcaria com eles!!!

Pascoalita disse...

Ainda bem que meteste colherada, Cusquita eheheh

Pois ficas desde já encarregue de averiguar o que se passa com as flores, após a cerimónia fúnebre, sobretudo quando o falecido é cremado.

Há mesmo uma espécie de acordo entre as agência funerárias e as floristas e estas revendem as ditas várias vezes? ahahahah

Bem, não me admira nada ... já há muitos anos que ouço pessoas queixarem-se que vão ao cemitério umas horas depois e constatam o desaparecimento da quase totalidade das flores.

Pensava-se então que seriam roubadas, mas é bem provável que se trate de "roubo" com conivência de quem devia guardar o espaço.

Otário é quem desperdiça assim fortunas. E lá que parece ser um negócio bem rentável ...

Grilinha disse...

Aqui está uma época do ano que eu gostaria de saltar no calendário.

Não tarda está a chegar outra que tb não me diz nada nos tempos de hoje.

Tomara que chegue Janeiro para entrarmos no ritmo normal de semanas e semanas a fio sem nada para comemorar/festejar e que só nos faz ficar tristes e deprimidos.

Um beijinho

Espaço do João disse...

Se há pessoas que adoram flores, uma delas sou eu. No entanto já disse várias vezes que não quero sacrificar uma única flor.Meu corpo será cremado. Não quero que elas murchem com o calor do crematório. Que culpa teem as flores da minha morte? Vão dar-me vida? Porque ha-de haver cínicos que para se mostrarem, levam uma flor para deitarem dentro duma cova se o seu prazer era mesmo não mais ver-me? Beijinhos João

Parisiense disse...

A tua ultima frase diz tudo....."que mundo louco este em que vivemos"

Exibicionismo é o que acontece nesses dias......enquanto as pessoas estão vivas não lhe ligam nenhuma e depois.......
È melhor eu retirar-me porque senão ainda vomito.....porque á coisas que não consigo digerir mesmo.....

Beijokitas e bom domingo, nina linda

Sandokan disse...

Gastar cera branca em defuntos pretos e a flor caída não volta ao galho.

Pascoalita disse...

Olhem só quem deu à costa ... o gatinho dos olhos verdes!!!

Sejas bem reaparecido, nino. Está tudo bem contigo??? Já tinha saudades.

Carlos II disse...

É de facto um mundo louco. Mas eu não quero ficar louco.
Guardo na memória os meus entes queridos e...mai nada!

Estive uns tempos sem poder visitar aqui o "pascoalita". Aparecia sempre o mesmo tópico. O encontro com o Zé do Cão. E eu a saber pelas más línguas que havia uns tópicos novos. Coisas.

Boa semana

Laura disse...

Olha essa é que nunca me passou pla cabeça, serem capazes de revender as flores até porque elas começam logo a murchar, arre que negócios, e tens ra~zao ha pessoas que têm d epedir para fazer o funeral da familia e outros que têm e nem precisam de pagar muito, mas claro que simplicidade acima de tudo... Beijinhos.

Pascoalita disse...

Olá,. Griliiiinha :)*

Também estou ansiosa que chegue Janeiro ... e não é só para os dias serem maiores, nem tão pouco para espantar o frio!!! Aproxima-se a época do ano em que fico super nostálgica e com vontade de hibernar.

Jinhos AMIGA :)*

Pascoalita disse...

João,

Também penso assim. É fazer o melhor que pudermos em vida. Depois, restam-nos as lembranças.

E também acho que as flores ficam muito melhor nos canteiros.

Jinho

Pascoalita disse...

Parisiense,

Afinal muita gente pensa como eu, só que quase sem darmos por isso vamos fazendo parte da engrenagem.

É bastante frequente solitarem o meu contributo para aquisição de flores por morte de colegas ou familiares destes lá na chafarica. Já houve uma altura em que não participava, mas ultimamente quase nem me dou conta e lá vou alinhando ... são hábitos enraizados difíceis de abandonar.

jinhos

Pascoalita disse...

Carlitos dos ii

Já não és o primeiro a queixares-te! Não sei a que isso se deve, mas a única vez em que isso me aconteceu foi no Blog da nina Ahlka e o problema era do meu pc ... bastou actualizar, clicando em refesh.

Bem, na verdade não perdeste nada, pois tenho andado pouco inspirada eheheh


Jinho

Zé do Cão disse...

Dia de finados. Morrem uns e nascem outros.
O meu filho mais velho nasceu em dia de finados.
Se fosse só as flores que são vendidas outra vez.
Na moita houve uma coveira chamada Lucinda que vendia as argolas, as cruzes e os fatos dos mortas, depois depois de os ter enterrado.

Beijocas

Laura disse...

ai credo ó zé, deixa-te d einvenções, a muié era alguma vez capaz disso? pró que lhes dá!...xiça, que medo e que nervoso..ai que alma penda ela não vai ser...ji.

Pascoalita disse...

Não me admira nada isso que conta o Zé.

Ainda não há muitos anos foi notíciado que a família dum certo defunto se empenhava em obter autorização para exumar um cadáver, porque supostamente teria levado um casaco errado para a cova e este continha no bolso algo valioso ahahah

Também é conhecido que antigamente era frequente abrirem as campas para roubarem o ouro de dentes dos mortos.

Laura disse...

Isso sim, sabia que chegavam a violar campas para roubar coisas ou esconder tesouros de partilhas e mais tarde recuperava-se, credo... Beijinho.

As Chamas do Fénix disse...

O luxo da morte... para chorar os que partem... só é necessário uma coisa... sentimento.

Uma gramde chama para ti... beijos

mary90 disse...

Olá Pascoalita.
Cá estou eu regressada do meu maravilhoso fim de semana no paraíso com o meu Adão.:)
E como sabes pensei muito em ti!
Porque gosto que os meus amigos sejam felizes como eu, daí achar que aquele sítio é muito bom para ires com o teu Manel...
Em relação ao tema, eu tive uma cunhada que teve uma doença incurável durante alguns anos, como ela estava longe falava muito com ela por telefone e, quando a ia visitar levava sempre um ramo de flores que ela tanto gostava, porque sempre pensei que as devia dar enquanto ela estava viva, agora já não me preocupo em ir lá ao cemitério.
Nos cemitérios das terras pequenas há pessoas que vão para lá passar tardes e vão vendo as campas para ver quem tem as flores mais bonitas e se a viúva de fulano ou sicrano ainda la vai levar flores!
Devemos dar tudo aos vivos porque os que morrem já nada precisam, a não ser a saudade de quem os perde.Beijocas

xistosa - (josé torres) disse...

O futuro dos meus está garantido.
Quero ser cremado e sei que é isso que me vão fazer.
Sei que não existem almas, para mim, mas queimado, desaparece tudo, até a obrigação de passar um fim de semana nos cemitérios.
Agramonte, no Porto, Viana do Castelo, Cortes -Monção e Melgaço.
A minha mãe está no ... esqueci o nome ..., em Lisboa ... AH! Cemitério dos Prazeres.
Para quê as flores?
Ao fim de meia dúzia de anos, ou nem tanto, só restam uns despojos ... incoerentes e uns familiares escravos de tradições.
De 1 de Novembro até ao fim de Dezembro, para mim, é a pior época do ano ...

Um molho de "silvas" que custava meia dúzia de cêntimos, subiu as escadas do reino e todos têm que lhe prestar vassalagem, com pelo menos um euro e meio.

Afinal não só os grandes que roubam ... os pequenos fazem o mesmo uns aos outros.

É um fartar vilanagem ...

Eu não quero uma só flor, já está no "papel"!!!