quinta-feira, dezembro 10, 2009

O Natal da minha infância

Texto com que participei na Blogagem colectiva de Dezembro, na Aldeia da minha vida, promovido pelas meninas Helena e Susana, cujo tema é "O Natal na Minha Terra".

No tempo em que o Natal era quase exclusivamente de cariz religioso, mal chegava o mês de Dezembro, fazia-se uma pausa na catequese e, orientadas por catequistas e pelo Padre da paróquia, as crianças organizavam grupos aos quais eram atribuídas funções que cumpriam com entusiasmo e devoção.

Uns apanhavam o musgo, outros davam início à montagem do presépio, o qual invariavelmente ocupava sempre o espaço entre o altar de Santa Teresinha e uma das portas laterais da igreja, em frente ao púlpito. A iluminação ficava sempre a cargo do ti Manuel sacristão. O espaço era forrado com tecido macio sobre o qual se dispunha o musgo. Do velho caixote de madeira retiravam-se as pequenas figuras, cuidadosamente embrulhadas e guardadas de ano para ano. Cada figura ocupava um lugar próprio e por fim o senhor padre depositava a imagem do "menino jesus" sobre as palhinhas e o presépio ficava pronto.


(Foto da net)

No dia de consoada faziam-se as filhós, as quais eram estendidas num pano branco, colocado sobre os joelhos, fritas à lareira e depois colocadas a escorrer e num cesto forrado com um pano de linho e polvilhadas com açúcar.

Finalmente chegava o momento mais emocionante. À noite, as crianças colocavam o sapatinho junto da lareira e recolhiam ao quarto, tentando manter-se acordadas na esperança de ouvir o "menino Jesus" descer pela chaminé e depositar o tão almejado presente, que se resumia a um simples par de meias ou um par de tamancos novos.

E era assim, na minha infância, o Natal na minha terra.

12 comentários:

Maria disse...

Pascoalita

Estava a ler-te e, a ver os Natais da minha infância. Era tudo tão puro, tão simples, tão lindo.
Obrigada por esta volta ao passado.
Beijinho
Maria

Bichodeconta disse...

Magnífico trabalho que nos leva a todos a recuar á infancia.No meu caso o Natal era pobre em dinheiro mas rico em amor.Os presentes, longe destes tempos em que tudo serve para gastar o que não há, as crianças ficavam felizes com presentes pequnos no tamanho e no valor monetário.Tenho pena de muita coisa que se perdeu e não voltará. Como a nossa amiga não foi ter connosco no dia 6? era mais uma pessoa que ficava a conhecer e mais um abraço de ternura que trocava.Beijinho, Ell

L.S. Alves disse...

Bonito o natal da sua época.
Um abraço moça.

Parisiense disse...

Esse natal também eu conheci mas já adolescente depois de vir de África.

Mas o meu era bem mais engraçado.....cheio de calor, praia, camarão, lagosta, santola, filhós, rabanadas e bolo rei.

Mas eu sempre gostei mais da parte desse "peixe" que dos doces...ahahahah

Beijokitas

Sandra disse...

Belas recordações de Natal, não é mesmo, amiga.
Temos tantas coisas boas que nos reportam a esta magia.
Fico feliz que comentou na postagem da minha aldeia.
Venho lhe convidar para ver um pouquinho mais desse Natal Luz em Gramado.
Te espero.
http://sandraandrade7.blogspot.com

Com muito carinho
Sandra

Zé do Cão disse...

É incrivel,,, Eu que tenho tão boa memória, não recordo nenhum Natal em especial. colocava o sapato na chaminé como todos, e exceptuando os soldadinhos de chumbo ou o avião pintado de amarelo, que colocava no ramo mais alta da Figueira e cuja ventoinha girava todo o ano até que pelo Natal era substituído por outro igual, poucas recordações tenho. Figos passados, da figueira que referi, também havia com fartura, mas para isso não era necessário haver Natal. Missa, Sr. Prior, ajudar à dita, nunca tive, no meu lugar não havia igreja (ainda hoje não há)e se alguém se atrevia a ir à do lugar ao lado, era corrido à pedrada, pois os rapazes de lá tinham medo que o pai natal não lhes dessem brinquedos a eles, já que na sua viagem rápida pelo mundo, os ventos obrigavam sempre a que o trenó passasse em primeiro lugar pela minha terra.

Biquinhos

Kim disse...

Os meus Natais também eram exactamente assim.
As prendas resumiam-se a um chocolate Regina e a um par de meias.
Outros tempos, mas não menos felizes.
Beijinho

Ranzinza disse...

PArece que a única ciatura a ter problemas com Natal sou eu...

Milu disse...

Olá Pascoalita!
Também me lembro da azáfama que tinha para conseguir arranjar musgo suficiente para o meu presépio. Era menina capaz de me enfiar em buracos escuros só para ter aquela grande "posta" de musgo. Quantas arranhadelas nos braços e mãos eu arranjava nessa altura! E a minha árvore de Natal, um pinheiro verdadeiro, cuja caruma até nos ouvidos se enfiava. O cheiro a resina e os bugalhos envoltos em pratas multicolores que pendurava na árvore, emprestavam a esta época uma certa magia. O ar parecia mais leve, apesar de mais frio. Pai Natal... Cedo soube que não passava de uma história mal contada, se não porque é que o Pai Natal dava as melhores e mais caras prendas aos filhos dos ricos?
Um Feliz Natal para ti e para os teus.

Um beijinho

Helena Teixeira disse...

Olá,Pascoalita!
Kiku kiku kiku :)
Hoje estou alegre.A blogagem está a correr muito bem e temos que agradecer a todos os participantes,Pascoalita incluidissima :) e aos comentadores.Pessoal do blog da Pascoalita,toca a comentar o texto dela também na Aldeia,é para uma boa causa da Isabela :)
Todos os dias,faço a contagem e vamos actualizar na rádio Mangualde :)
Amanhã,vou lá estar com a minha vozinha de barialto,ou tenor,ou será mais po canário entalado na gaiola...lol...

Jocas gordas
Lena

Laura disse...

Pois, os Natais sempre eram conforme a bolsa dos pais... e alguns tinham demais e outros nem nada, enfim... tradição que agora se vai acabando pois as familias não têm nem para pão quanto mais..Beijinhos, laura

Cristina disse...

Ah Natal! Tempo de tradições, doces costumes, doces lembranças...
Tempo de magia, tempo de acreditar, tempo de as esperanças renovar.
Venho deixar os meus votos de continuação de uma quadra natalícia muitooooo feliz.
E já agora, por não saber se terei tempo ou não, deixo já os meus desejos para que tenha um excelente 2010, com tudo aquilo que mais desejar.
Um beijo e tudo de bom para si!