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quarta-feira, maio 11, 2011

O Palhaço





Reencontrei-o há dias, entre um amontoado de objectos esquecido no anexo do quintal, destino obrigatório de tudo o que cá em casa deixa de ter utilidade!


Foi executado por mim quando eu era uma "menina prendada" e na época em que ainda não tinha descoberto a Internet. Fez parte da decoração do quarto dos pequenos durante um tempo, mas tinha-lhe perdido o rasto, ou para ser mais exacta, já nem me lembrava da sua existência.




Depois de limpo, precisa apenas de uns retoques na moldura e quem sabe não voltará a ter lugar de destaque na parede de um quarto de criança ?



quarta-feira, dezembro 08, 2010

Fim de percurso antecipado

Fiquei desligada do Serviço a 30 de Novembro p.p., mas como sempre afirmei não querer festa de despedida, algumas manifestações de amizade foram ocorrendo à medida que a data se aproximava eheheh

Assim, em Agosto, o primeiro grupo de colegas fez questão de me acompanhar num almoço (devo dizer que me soube a pato ... acho mesmo que uma pena se mantém até hoje alojada num dente eheheh), tendo sido presenteada com este bonito ramo de flores.

Deixo aqui um beijinho de gratidão a todos: Arlete, Celeste, Isa, Isabel, Joana, Kinita, Paulo e Teixeira ...



sábado, abril 10, 2010

O Folar da Avó Ana


Um pequeno texto, humilde contributo com que participei na Blogagem Colectiva do mês de Abril, na Aldeia da Minha Vida, desta vez alusivo ao tema "A Páscoa na minha Aldeia". Os textos participantes podem ser lidos, comentados e votados aqui.

(Imagem da Internet)

Da Páscoa da minha infância, na aldeia, de onde saí muito cedo, guardo apenas vagas recordações. Resumem-se a lembranças que envolvem actos religiosos e em que as crianças aproveitavam a pausa escolar para correr pelos campos e desfrutar dos primeiros sinais da Primavera.

Foi já na capital, onde vivi a minha adolescência, que me familiarizei com alguns costumes usuais da quadra e que até ali pouco me diziam ou simplesmente desconhecia, como seja por exemplo a tradição da oferta das amêndoas aos afilhados.

No 2º andar do prédio onde eu habitava, morava uma senhora alentejana, de Ferreira do Alentejo, com duas netas mais novas do que eu, que ao primeiro contacto, me adoptaram e com quem passei excelentes momentos.

A avó Ana era daquelas senhoras, tipicamente alentejanas, que tinha sempre a porta aberta e mais um lugar à mesa e a quem todos recorriam e nos fazia sentir parte da família.

Ainda hoje recordo, com emoção, a primeira vez que a vi colocar sobre a enorme mesa que mantinha sempre aberta na marquise, um tabuleiro contendo 3 douradinhos folares, cada um com seu ovo “semi-escondido”, acabadinhos de sair do forno, um dos quais se destinava à neta emprestada … EU!

O ritual repetiu-se durante alguns anos, tornando-se tão banal que só muito tempo depois, quando a “avó Ana” já não estava entre nós, nos apercebemos, com tristeza, que nenhuma das netas, incluindo eu, aprendera a fazer a receita.


sábado, fevereiro 27, 2010

A menina dança?


Lembram-se da "loira sensual" do meu texto "Carnaval de 1993"?

Há dias encontrei uma foto do cúmplice na brincadeira, que na altura se deixou "travestir" de loira!!!

Exactamente uma década depois, em 2003, o descarado "Alfredo" foi apanhado, durante o horário de serviço, a desafiar para um pezinho de dança, uma das funcionárias mais zelosas e cumpridoras do Departamento eheheh

E só não levaram ambos uma repreensão porque à época o sisudo director já fora substituído eheheh



domingo, fevereiro 21, 2010

Lembrando Severo Portela, Junior




"Estudo", oferta de Portela Júnior, há mais de 30 anos,
painel - "Alegoria da Escola do Infante"
Museu da Marinha, Lisboa.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Carnaval 1993

Texto da minha participação na Blogagem Colectiva que decorre mensalmente na Aldeia da Minha Vida. Participe votando e comentando.

Apesar de não ser fã do Carnaval, adoro uma boa partida e sempre reagi mal a imposições que revelem arrogância e prepotência.

Foi assim interpretada a decisão do 1º Ministro Cavaco Silva, quando no ano de 1993(?) decidiu não dar tolerância de ponto na Terça Feira de Carnaval, obrigando os funcionários a comparecer ao trabalho (quem se lembra?)

Tal decisão desencadeou ondas de revolta e manifestações de vária ordem, tendo em mim despertado o meu lado irreverente, levando-me a seguir à risca a máxima popular "é Carnaval, não se leva a mal" eheheh

E a vítima escolhida para as minhas travessuras carnavalescas foi nem mais nem menos que o Director do Departamento onde trabalhava, homem sisudo, com fama de autoritário que não tolerava o menor abuso. Naquele dia viu-se a braços com coisas muito estranhas! Primeiro fora uma chamada do Serviço Informativo dando-lhe os resultados desportivos, depois o Boletim Meteorológico e seguida da empregada da Fábrica de Sacavém pedindo-lhe a medida do cu para que o penico lhe ficasse bem e por fim várias chamadas eróticas, se bem que dessas até tinha gostado e nada tinha a reclamar eheheh. Mas o momento mais excitante ocorreu após uma breve ausência, quando alguém o informou que uma ex-colega de faculdade o aguardava no gabinete.





Vaidoso, qual Dom Juan, ficou estático, de olhos esbugalhados perante a visão da dama de cabeleira loira, pernas cruzadas que, sentada no cadeirão junto da sua secretária, o aguardava. Quem seria a sensual mulher que tomara a liberdade de entrar assim no seu gabinete?!? Avançou para ela de mão estendida, só depois se apercebendo que a bela loira não passava de um manequim estrategicamente preparado para o fazer cair na armadilha eheheh




A brincadeira podia ter-me saído cara se não tivesse dado corda aos sapatos imediatamente e não fosse o dia seguinte Quarta Feira de cinzas, o primeiro dia da Quaresma que apela à penitência, tolerância e fraternidade, mas posso afirmar que nunca me diverti tanto como nesse Carnaval.


domingo, janeiro 10, 2010

As "Janeirinhas"

Este texto constitui o meu modesto contributo na Blogagem Colectiva da Aldeia da Minha Vida cujo tema do mês de Janeiro é "Vamos Ca/ontar as Janeiras e Comer Bolo-Rei".
Para ler todos os textos e comentar, é aqui


Associo a prática de cantar as janeiras ou "janeirinhas", como se dizia na minha aldeia beirã, a um passado longínquo já quase esfumado na memória, uma vez que em Lisboa onde cheguei, ainda menina, no fim dos anos 60, e morei desde então, não se usava a tradição.
No meio rural, longe da civilização, onde os brinquedos eram raros, o entretenimento passava muito pela imaginação e criatividade das crianças.
Motivava-nos bem mais o prazer de competição entre grupos, ou o simples gozo de ver as críticas e reacções negativas de alguns habitantes do que esperança de sermos recompensados com uma côdea de pão ou um biscoito rijo.
Apesar do frio, saíamos de casa, enrolados no grosso cachecol de lã tricotado pela nossa mãe, mãos aconchegadas nas luvas e gorro enfiado na cabeça ficando apenas o nariz de fora, e calcorreávamos as ruas da aldeia nas frias manhãs de Janeiro, no dia 1 de Janeiro e no dia de Reis, cantarolando os tradicionais versos que iam passando de geração em geração:



Ainda agora aqui cheguei
Já pus o pé na escada
Já o meu coração disse
Aqui mora gente honrada

Levante-se lá Senhora
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou morcela, ou chouriça

Pastores, pastores
Venham todos a Belém
Adorar o Deus menino
Que Nossa Senhora tem


(imagem da internet)

quinta-feira, dezembro 10, 2009

O Natal da minha infância

Texto com que participei na Blogagem colectiva de Dezembro, na Aldeia da minha vida, promovido pelas meninas Helena e Susana, cujo tema é "O Natal na Minha Terra".

No tempo em que o Natal era quase exclusivamente de cariz religioso, mal chegava o mês de Dezembro, fazia-se uma pausa na catequese e, orientadas por catequistas e pelo Padre da paróquia, as crianças organizavam grupos aos quais eram atribuídas funções que cumpriam com entusiasmo e devoção.

Uns apanhavam o musgo, outros davam início à montagem do presépio, o qual invariavelmente ocupava sempre o espaço entre o altar de Santa Teresinha e uma das portas laterais da igreja, em frente ao púlpito. A iluminação ficava sempre a cargo do ti Manuel sacristão. O espaço era forrado com tecido macio sobre o qual se dispunha o musgo. Do velho caixote de madeira retiravam-se as pequenas figuras, cuidadosamente embrulhadas e guardadas de ano para ano. Cada figura ocupava um lugar próprio e por fim o senhor padre depositava a imagem do "menino jesus" sobre as palhinhas e o presépio ficava pronto.


(Foto da net)

No dia de consoada faziam-se as filhós, as quais eram estendidas num pano branco, colocado sobre os joelhos, fritas à lareira e depois colocadas a escorrer e num cesto forrado com um pano de linho e polvilhadas com açúcar.

Finalmente chegava o momento mais emocionante. À noite, as crianças colocavam o sapatinho junto da lareira e recolhiam ao quarto, tentando manter-se acordadas na esperança de ouvir o "menino Jesus" descer pela chaminé e depositar o tão almejado presente, que se resumia a um simples par de meias ou um par de tamancos novos.

E era assim, na minha infância, o Natal na minha terra.

terça-feira, novembro 10, 2009

Falando sobre o Magusto

Aproxima-se o dia de S. Martinho e, como não podia deixar de ser, na Aldeia da minha Vida fala-se do tradicional Magusto ...

Falar de castanhas é recordar o Padre Eduardo, o melhor cristão que já conheci, pároco da aldeia beirã do Concelho de Trancoso, onde nasci e vivi a infância.

Das tias herdou um grande soito, situado no cimo de um monte, contíguo ao campo de futebol, cujo terreno ele cedera, proporcionando enorme alegria à rapaziada local.

Mal os ouriços começavam a sorrir, o Toninho, seu protegido desde que ficara orfão em criança, montava guarda ao soito e por lá passava os dias apanhando a castanha. Por altura do S. Martinho, o padre Eduardo reunia um grupo de crianças e em conjunto faziam a caminhada enquanto iam rezavam o terço, monte acima. Lá chegados, enquanto alguns ajudavam na apanha da castanha, os outros juntavam caruma e pequenos troncos que recolhiam no pinhal próximo e em grande animação acendiam a fogueira para o magusto. No fim do dia, os voluntários carregavam o saco com as castanhas que sobravam e fazia-se o caminho de regresso ao som de mais umas "Avé Marias".

No Departamento onde trabalho comemoramos o S. Martinho com um magusto reforçado, que inclui: Castanhas vindas directamente do produtor da zona da Guarda ou Viseu; jeropiga caseira da Beira Alta e Minho; presunto de Chaves ou da Mêda; chouriço de Arouca ou Alentejo; queijo de ovelha de Celorico da Beira e Castelo Branco; Água pé clandestina oriunda de um tasco, cujo nome não revelo nem à lei da bala e uma ou duas sobremesas (receita das ninas do grupo pascoalita e africana).

Mas agora me lembro que temos o S. Martinho à porta ... vou deitar o olho ao saco e ver o que temos para o magusto deste ano eheheh


sábado, outubro 10, 2009

Blogagem Colectiva "Na minha terra come-se bem"

Texto com que participei na "Blogagem Colectiva" promovida pela Susana Falhas do Blogue Aldeia da minha vida sobre o tema: "na minha terra come-se bem":

Grelos à pobre"

Na tentativa de escrever sobre gastronomia da minha terra natal, na Beira interior, Concelho de Trancoso, subi ao sótão e remexi no baú das minhas recordações.

Mas para além do excelente pão (mistura de centeio e trigo) que a minha mãe cozia uma vez por semana, do rancho melhorado aos Domingos que quase sempre se traduzia num prato de arroz com feijão cujo agradável sabor ainda guardo na memória, das batatas cozidas com ovos ou bacalhau e da enorme terrina onde nunca faltava sardinha ou chicharro de escabeche, pouco mais há a dizer, a menos que contasse o episódio em que estando na aldeia de férias, me fechei na adega a comer pão com azeitonas e a certa altura tentando encher a enézima malga delas, mergulhei dentro da tina e quase morria afogada eheheh

Mas a gastronomia beirã é muito rica e variada e bastante apreciada e, apesar das minhas curtas estadias, sempre que vou até lá delicio-me com os pratos da região, tanto em restaurantes durante a viagem, como os pratos preparados pela minha sogra, em Marialva, concelho de Mêda.

O cabrito assado em forno de lenha, o famoso coelho bravo na região da Mêda, o excelente queijo de ovelha de Celorico da Beira e arredores, o saboroso presunto, os enchidos, o requeijão feito com o soro que resta após a manufactura do queijo e os vinhos, são apenas alguns exemplos.

Mas porque são as coisas mais simples que quase sempre nos dão mais prazer, uma das iguarias beirãs que mais aprecio e que aprendi a fazer já adulta, com o meu marido, são os "grelos à pobre", um prato que segundo dizem os mais velhos, constituía num passado não muito longínquo, a única refeição diária das famílias da aldeia. Servem-se acompanhados de farinheiro ou moiro cozidos e tostados na sertã e/ou torresmos.


(Imagem da Net)

Ingredientes:

1 molho de grelos de nabo
3 batatas médias
400g de entremeada c/2 dias de sal
1 farinheiro tenro
2 dentes de alho

Modo de fazer:

Arranjam-se os grelos, cortam-se em pedaços de cerca de 3 cm e levam-se a cozer em água abundante c/sal.
Num tacho à parte coze-se o farinheiro (ou moiro) e num outro as batatas. Depois dos grelos cozidos, escorrem-se e bem. Esmagam-se as batatas (com um garfo), junta-se aos grelos e envolve-se tudo. Corta-se o toucinho em tiras, colocam-se numa "sertã" e levam-se ao lume a fritar lentamente, virando de vez em quando até ficarem secos e libertarem toda a gordura. Retiram-se, deixam-se escorrer junta-se os dentes de alho esmagados à banha da fritura e deixam-se alourar. Regam-se os grelos com a banha ainda quente., envolve-se tudo e serve-se com o farinheiro ou moiro e os torresmos.
Bom apetite



terça-feira, setembro 15, 2009

Fechado em casa

Um texto da Laura de réstea de sol sobre um conjunto de "chaves" e o recente aniversário do meu mano trouxeram-me à memória uma (hi)estória engraçada que envolve chaves, ou antes a ausência delas, uma cena que certamente ele há muito esqueceu, mas a mim ainda hoje faz rir (e não rimos todos nós do mal? ahahahah)

Apesar do meu irmão Carlos não ser o mais próximo de mim no grupo de 6 irmãos, separando-nos 5 anos de idade, mantivemos sempre uma relação de partilha e cumplicidade, sendo ainda hoje aquele a quem me liga o maior laço afectivo.

A sua imagem nas memórias da minha infância é muito ténue, mas há um pormenor que mantenho vivo e que tem a ver com a alcunha que nós, os irmãos, atribuíamos uns aos outros, tendo no caso aproveitado um desabafo da mãe que certo dia proferiu a seguinte frase:

- "Este miúdo é tão magrinho que nem cu tem"! E pronto, entre nós passou a ser "o sem cu" eheheh


Os nossos pais mantiveram-se na aldeia, mas eu e 2 dos meus irmãos viemos muito cedo para a capital e por cá nos orientámos. Sem progenitores por perto e como irmã mais velha, entretanto casada, era em minha casa que passavam alguns dos fins de semana livres, assim como foi com o meu apoio que contaram quando chegou a hora de cumprir o serviço militar obrigatório.


Uma das vezes em que o meu irmão ficou lá em casa, na Segunda Feira saí cedo como habitualmente, deixando-o ainda a dormir, pois só iniciava o trabalho às das 11 horas. A ideia era ele deixar a porta no trinco quando saísse, como era hábito.

A meio da manhã recebo um telefonema de uma vizinha dizendo que o moço estava fechado em casa!Eu tinha simplesmente fechado a porta à chave e ele não tinha como sair do 6º andar (ainda não tinham inventado o "red bull" eheheh)

O coitado tinha-se visto grego para me fazer chegar o recado! Colocara-se de plantão à janela, que nem "carochinha à espera do João Ratão" na esperança que alguma vizinha saisse ou entrasse pelas traseiras, para onde dava a janela do seu quarto, para mandar recado, dado que nessa altura eu não tinha telefone em casa.

Claro que 5 minutos depois o rapaz foi libertado, pois a minha madrinha que morava no 7º andar sempre teve chave da minha casa e lá resolveu a situação ahahah

Mas durante algum tempo ambos rimos da cena caricata.


quinta-feira, setembro 10, 2009

Blogagem Colectiva "Vindimas e Vinhos"

Hoje publico o texto com que participei na "Blogagem Colectiva" promovida por Susana Falhas do Blogue Aldeia na Minha Vida.
Para ler todos os textos dos participantes, comentar e votar, é
Aqui.

Memórias ligadas à vinha

As vindimas de que tenho lembrança remontam aos últimos anos da década de 60 do século passado, quando eu era ainda criança com 10 ou 11 anos de idade e já integrava um grupo de trabalhadores da aldeia, e durante um dia inteiro, colhia os cachos e carregava à cabeça enormes cestos de vime cheios de uvas. Na minha aldeia, no Concelho de Trancoso, na Beira Alta, as vindimas tinham início em Setembro e por vezes prolongavam-se até Outubro.

Lembro-me do Sr Alberto, um respeitável feitor que tinha a seu cargo a tarefa de cuidar das vinhas, cujos donos moravam e exerciam a sua actividade profissional na capital, apenas se deslocando esporadicamente à aldeia onde permaneciam pouco tempo e raramente eram vistos.



O pessoal contratado, na maioria mulheres, juntava-se no adro da igreja, ou junto ao cruzeiro da aldeia e partiam em grupo, umas vezes a pé, outras numa carrinha de caixa aberta quando a vinha era mais distante, levando cada um o seu próprio farnel. A tarefa era desempenhada ao som de alegres canções populares e o tempo passava sem quase darmos conta.

Retrocedendo
a essa época, acabo por constatar que aquilo que é hoje considerado "exploração infantil", constituía para mim, e disso tinha plena consciência na altura, um dos poucos factores de alegria e realização pessoal. E bem me lembro da sensação de orgulho que sentia quando ao fim do dia me cruzava com meninas da minha idade que, por protecção paternal ou por terem sido preteridas pelo contratante, ficavam a brincar nas ruas da aldeia. E hoje, por mais estranho que possa parecer, sou capaz de afirmar que me sentia privilegiada por trabalhar.

O pisar das uvas e a prova do vinho mosto são lembranças que associo à casa de família quando os meus avós maternos ainda eram vivos, mas isso numa época tão longínqua que já quase se confunde com um sonho.

Muito mudou na minha vida desde então, mas as vindimas continuam a atrair gente às aldeias, o processo será menos artesanal, o ritual mais familiar, mas os actos de colher e pisar as uvas ainda são desempenhados em FESTA!

A última "vindima" em que participei foi há mais de 10 anos, quando troquei a cidade pelo campo, adquirindo uma moradia com quintal onde moro actualmente. Nesse ano o meu "aprendiz de hortelão" aventurou-se na experiência e um dia de "trabalho intenso" de 2 adultos e 2 crianças, rendeu:

- 15 litros de vinho tinto
- 10 litros de vinho branco
- 5 litros de jeropiga (tudo de excelente qualidade eheheh)


domingo, setembro 06, 2009

Bárbara mutilação

O que mostra a foto?

Um simples conjunto de fio e medalha em ouro, certo? Não, é um pouco mais do que isso. A bonita medalha em vitral, foi um presente que eu dei a mim própria por ocasião do nascimento do meu primeiro filho, há 28 anos, tendo por isso grande valor sentimental.

Já o fio tem uma história um pouco triste. Trata-se de um de quatro fragmentos a que foi sujeita uma bonita peça, um cordão com quase 100 anos que a minha sogrinha, contrariamente ao que eu sempre lhe sugeri, com a cumplicidade de um insensível ourives, cometeu a insensatez de o fragmentar, com o fim de presentear as noras, cabendo-me um pedaço de 50 cm.

Não imagino qual o valor comercial da peça, mas apesar de actualmente nem usar ouro, apenas pelo valor estimativo, cheguei a atribuir-lhe o valor de 1.000€ para manter o cordão intacto.

Sinceramente olhando para este pedaço de ouro aparentemente novo, chego a duvidar que o "intruja" tenha tido a coragem de mutilar tão bonita peça.




segunda-feira, agosto 10, 2009

Blogagem Colectiva "Festas e Tradições"


Este pequeno texto é o meu contributo na Blogagem Colectiva promovida por Susana Falhas, no Blogue "Aldeia da Minha Vida". Todos os textos podem ser lidos AQUI. Participe votando no que mais lhe agradar.

À semelhança do que acontece com muitos "citadinos" oriundos do interior, o apelo ao regresso às raízes levou-nos a adquirir uma pequena moradia com quintal, em Alcainça, Concelho de Mafra, para nos refugiarmos aos fins-de-semana e nas férias.
A festa local em honra de S. Miguel de Alcainça ocorre anualmente em Setembro, mas os habitantes estavam mais envolvidos com os preparativos da festa da Freguesia vizinha, que se prendiam com o culto da imagem da "Senhora da Nazaré" de que eu nunca ouvira falar.

Trata-se do Círio da Senhora da Nazaré que circula pelas 17 Freguesias do Concelho de Mafra, sendo a festa a cargo da freguesia que a recebe e na qual se mantém até ao ano seguinte. Todos os anos a imagem é transportada em romaria de uma para outra freguesia, algumas distando vários quilómetros, obrigando a um cortejo moroso de coches, cavalos e pessoas a pé, chegando a demorar várias horas. Durante o percurso os "anjos" cantam as "loas" e as estradas enchem-se de devotos e um dos actos mais significativos tem lugar à chegada, em que o pároco eleva a imagem no ar mostrando-a à população. A festa prolonga-se por 10 dias ou mais!
Alcainça era apenas ponto de passagem da imagem que se deslocava da Freguesia da Enxara do Bispo para a Igreja Nova, facto que se repetirá no próximo mês de Setembro. Da festa ocorrida alguns anos depois em Alcainça, retenho poucas lembranças dignas de nota, mas o brilho das velas e lampiões a incidir nas pétalas das flores que cobriam a estrada, as pessoas ajoelhadas no alcatrão a rezar e os lamentos dos mais idosos que prevendo ser aquela a sua última visão da imagem se despediam acenando com lenços brancos à passagem do cortejo, constituíram um cenário que ficou gravado até hoje na minha memória. Portugal continua um país rico em tradições religiosas!

quinta-feira, agosto 06, 2009

Eu ainda sou do tempo ...


Parafraseando aquele anúncio "... eu ainda sou do tempo em que era assim ..."

Com excepção dos sacos de plástico de transporte de peixe, todos os outros eram lavados, virados do avesso como se fazia às peúgas (mais um hábito que abandonei há muito heheh) e estendidos na corda do meu 6º andar.

E como até era uma menina muito prendada, ainda me dava ao trabalho de os virar para que secassem mais rápido e a seguir eram dobrados e introduzidos no "porta sacos", tipo "manga" bem útil em qualquer despensa, não concordam? Ah! Pois era!!!

E agora? Quem ainda se dá ao trabalho de lavar sacos de plástico? Eu confesso que não o faço há muitos anos! E se dediquei 2 minutos a essa tarefa foi exclusivamente para tirar a foto.

Isto daria vários temas de conversa, começando pela facilidade com que mudamos hábitos, na rapidez com que aderimos ao consumismo, nos consequentes efeitos a nível ambiental, na relação preço-produto se fizermos o paralelo entre adquirir aqueles rolinhos de sacos a metro (hummm bem práticos) e o que acarreta o reaproveitamento dos usados, e por último meditar sobre a forma de travar o flagelo, muito havia a dizer. Mas como o tempo ainda não é elástico e a minha amiga laurita já se sente enjoada porque o arroz doce do post anterior não sai de cima da mesa, por aqui me fico.

Mas gostaria de saber quantas de vós ainda reutiliza os saquinhos de plástico. Vá lá, digam. Mas só aceito a verdade !!!

sábado, abril 18, 2009

Sonhando e recordando ...


Esta noite sonhei, de novo, que viajava de comboio, rumo a Coimbra. Suponho que ia ao encontro das ninas Laura e Parisiense, cumprindo finalmente o que vimos prometendo há muito tempo.

De manhã, bem cedo, apanhei o comboio no Cais do Oriente e o entusiasmo era tal que a sacola de viagem teria ficado esquecida no chão da plataforma, se não fosse um simpático cavalheiro que no último instante surgiu sabe-se lá de onde e gentilmente ma estendeu ao mesmo tempo que subia para o comboio eheheh

O regresso à realidade despertou em mim uma enorme saudade, não só dos familiares e amigos que me ligam a Coimbra, mas consequentemente do seu característico fado de que tanto gosto e ainda do símbolo que lhe está associado, o famoso "penedo da saudade" .

E foi exactamente ao tentar rever o "penedo" que, como por magia, vim dar ao Deixa-me!, à página que em Junho de 2007 o meu Amigo Marius70, tão amavelmente me dedicou e que incluiu fados e baladas de Coimbra, destacando a "balada da despedida", deixando-me hoje tão ou mais sensibilizada que na época.

Ao meu querido Amigo Marius70, o meu muito obrigada.


E sem discordar do grande poeta Gedião que diz "o sonho comanda a vida", daí à realidade vai uma enorme distância e antes que tenha uma recaída, será melhor começar já a interiorizar que é este o transporte que me espera na próxima Segunda Feira, às 6,30 da manhã, não a caminho da cidade dos sonhos, mas aonde me aguardam resmas de trabalho e em que não me será permitido sonhar, nem mesmo acordada eheheh


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Então ... perguntar não ofende.

A minha colega Alice era pouco dada a brincadeiras, nada maliciosa e um pouco lenta de raciocínio. Natural duma pequena aldeia do norte do país, partira cedo para terras africanas, onde tinha família.

Regressara a Portugal em 1975, na sequência da independência de Angola e alguns anos depois integrou o quadro de pessoal do Departamento onde eu já trabalhava há cerca de 5 anos.

Estávamos então em finais dos anos 70. Um dia encontrava-se ela encostada à esquina da rua perto do local de trabalho aguardando o marido que fora buscar o carro que deixara estacionado a 2 quarteirões, aproxima-se dela um sujeito de meia idade que em voz pouco perceptível lhe faz a seguinte pergunta:

- A menina é da reforma agrária???

Sem compreender a pergunta, hesitou atrapalhada, ao mesmo tempo que lhe dirigia um sorriso, encorajando-o a continuar o diálogo:


- Tem carrito, tem? Perguntou-lhe.
- Sim, estou à espera dele. Respondeu ela.
- Ah! Então a menina já ganhou para um carro! E até tem motorista. Muito bem! Continuava ele, aproximando-se cada vez mais.



Minutos depois o Datsun cinzento pára em frente deles. O marido da minha colega, por sinal inspector da PJ, abriu a porta à mulher e enquanto esta se sentava a seu lado, o estranho muito despachado, abriu a porta de trás e preparava-se para ocupar o banco trazeiro quando é barrado pelo condutor que o ameaça exibindo uma barra de ferro que trazia sempre no carro.

Gerou-se alguma confusão, o condutor que era citadino reagiu mal ao argumento e à expressão "reforma agrária" e quando o "candidato a pendura" viu este sair do carro, de barra de ferro em punho, caiu em si e foi tal o susto que esvaziou a bexiga ali mesmo.

No fim tudo terminou bem ... o pobre homem, ainda confuso e desiludido, afastou-se enquanto ia gaguejando:

- Então ... perguntar não ofende! Ou ofende?

Durante muito tempo o incidente foi tema de risota na chafarica com algumas de nós a perguntar frequentemente à colega:

- Alice, mas afinal és ou não da "reforma agrária"? eheheheheheh

sexta-feira, janeiro 23, 2009

A Herança do Manel

Na sequência do falecimento do meu sogro, em Fevereiro do ano passado, a Ti' Adelaide não descansou enquanto não juntou os 4 filhos, a fim de proceder à partilha do espólio.

As várias diligências inerentes ao processo obrigaram o filho mais velho, o meu hortelão, a algumas deslocações à terra natal.

Ontem foi dia de dividirem o recheio da adega e arrecadação. Desde pipas de vinho a motores de rega e todo o tipo de utensílios de lavoura, o hortelão foi prescindindo objecto atrás de objecto por não lhes dar utilidade.

Hoje regressou a casa com o produto da herança: A cantarinha de barro que o pai fazia questão de ter sempre cheia de água fresca, no verão.


quinta-feira, janeiro 01, 2009

A minha Aldeia

Foi nesta aldeia beirã que a desajeitada cegonha que fazia o voo entre Paris/Lisboa me largou, desamparada, mal avistou solo português há mais de meio século!

Se foi acometida de súbido ataque de alergia ao local ou se simplesmente foi vítima de uma fisgada da garotada local nunca se chegou a apurar, só sei que aterrei ali, exactamente naquele casebre sinalizado com um círculo rosa e ali vivi a minha infância e parte da adolescência.

Sem me mover a menor saudade, apenas porque transitava na zona, parei para fotografar o local.


(Clica na imagem para ampliar)


sábado, novembro 22, 2008

Momento Kafkaniano

Nota:
Inicialmente tinha escolhido o título "O meu menino Kafka". Isto porque o fascínio pela vida e obra de Franz Kafka demonstrado pelo meu filhote mais velho e o seu empenho e dedicação enquanto escrevia a sua tese de mestrado eram tão evidentes que até o padrinho lhe deu a alcunha de "O kafkazinho"



Não sei precisar há quanto tempo me apercebi do seu interesse pela vida e obra de Kafka, mas por ocasião do termo da licenciatura em Língua e Cultura Portuguesa, o seu interesse em viajar até Praga já então foi bem revelador.

Nas breves pesquisas que fiz e entre várias fotos e caricaturas que encontrei sobre o enigmático escritor, apaixonei-me por esta, tendo-a desde então mantido na pasta "My pictures" .

Tendo terminado recentemente o mestrado em Teoria da Literatura, teve lugar anteontem, dia 20 de Novembro, a dissertação da sua tese sob o título:

"KAFKA: uma habilidade necessária" tendo merecido do Júri, a classificação de MUITO BOM.


A dissertação online está disponível aqui

Pais e amigos do "Kafkazinho" estão obviamente orgulhosos, embora mantenham alguma apreensão associada à incerteza de que o reconhecido mérito seja em breve aproveitado de modo a que floresça e produza frutos no campo profissional.

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P.S.

Um beijinho de gratidão à minha Amiga Ahlkinha pelo incentivo que me levou a escrever sobre o assunto em "Post"