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sábado, julho 11, 2009

Soneto "Os meus Amigos"



Amigos, cento e dez, ou talvez mais
Eu já contei. Vaidades que sentia:

Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!


Amigos, cento e dez, tão serviçais
Tão zelosos das leis da cortesia,

Que já farto de os ver me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.



Um dia adoeci profundamente:
Ceguei. Dos cento e dez houve um somente

Que não desfez os laços quase rotos.

-- Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode
ver!...

-- Que cento e dez impávidos marotos.

(Camilo Castelo Branco)


sábado, junho 27, 2009

Apócrifo do poeta Aleixo?


Circula por aí como sendo um "apócrifo do poeta Aleixo" ... será? Recebi-o por e-mail, mas já me cruzei com ele na Internet.

Quer seja ou não da sua autoria, está com imensa piada eheheheh




(Clicar na imagem para ler)

sexta-feira, março 20, 2009

Divulgando Camilo Pessanha


Anteontem, passando por acaso na estação de Entrecampos do Metropolitado de Lisboa, descobri uma pequena feira do livro que ali decorre e que segundo me informei se prolongará até ao fim do mês.

Dei uma vista de olhos ao espaço repleto de obras, cujos preços me pareceram bem acessíveis e acabei por comprar este livro que acho muito interessante.

Confesso que desconhecia por completo Camilo Pessanha, mas fiquei fascinada mal li as primeiras páginas, o que me levou a querer saber mais um pouco sobre este Poeta Portugês.


Biografia de Camilo Pessana

Poema

Floriram por Engano as Rosas Bravas

Floriram por engano as rosas bravas
No inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?
Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!
E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...
Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze _quanta flor! _do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'


sábado, junho 14, 2008

Poema Satírico de Bocage


Retirado do site do Institito de Camões deixo aqui um poema satírico de BOCAGE que é ao mesmo tempo um pequeno desafio.

Clicando aqui tentem ordenar os versos que constituem uma história bem divertida.

Por fim é só verificar se estão na ordem correcta.



Num outro site, a minha escolha recaiu neste poema


Invocação à noite

"Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes.

Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem d'amor os sôfregos instantes:

Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto.
Que nunca de teus braços se retire!
Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto."

Bocage



quarta-feira, maio 28, 2008

A vida



A Vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!


Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce

Que no mesmo momento é já perdida...


Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

(Florbela Espanca)



quarta-feira, janeiro 02, 2008

Amigo


Amigo é o que nos procura,
Simplesmente por sentir,
Prazer, descanso, ventura,
Em nos ver e nos ouvir.
Aconselha-nos se erramos,
Sem humilhar-nos porém.
E sempre que precisamos,
Ao nosso encontro ele vem.
Tem muito dos nossos gostos.
Das nossas opiniões.
E se divergem os gostos.
Concordam os corações.
Quando um dia, inesperada.
Uma dor nos espezinha,
Embora bem disfarçada
Num instante ele adivinha.
Com uma palavra breve.
E sábia, realiza o encanto.
Eis que já sentimos leve.
O que nos pesava tanto.
Na hora difícil e indecisa.
Em que descremos de nós,
Só ele nos valoriza.
Com sua calma e sua voz.
Mais que irmão! Conceito antigo.
Nos instrui com perfeição.
Se nem sempre o irmão é amigo.
Todo amigo é sempre irmão.
Mas não é qualquer no mundo.
Que possui o raro dom.
Para ser amigo profundo.
É preciso antes,
ser bom!

(recebi por e-mail)

quinta-feira, junho 07, 2007

Auto-retrato



Analisando cada palavra, cada verso, deste poema, pareceu-me enquadrar-se na linha de pensamento do tema que temos vindo a comentar e ainda no seguimento do meu post anterior.



MULHERES VISÍVEIS




Antologia de poemas sobre Mulheres

Organização e tradução:
António Jacinto Pascoal




Espáduas brancas palpitantes:
asas num exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
(Natália Correia)

quinta-feira, março 22, 2007

A precariedade é o Primeiro Tema do Amor



Não chegaremos a tempo meu amor.
Quando despertarmos para tocar a matéria do amor
já a luz será outra e outro o dia
e mesmo nós seremos outros e também o amor.
Quando os nossos olhos gritarem
e quando descobrirmos o nosso nome
será preciso avançarmos sempre mais um passo
mais um passo para podermos tocar o amor.

Porque o amor corre à nossa frente
e respira como um animal que ninguém alcança
e faz de nós sempre a coisa que vai atrás
e porque a mão quando surge é já memória.

Porque o amor meu amor é um instante
e nós chegaremos atrasados e nunca será bastante.

Poema de António Jacinto Pascoal ... do seu livro
"A Contratempo"

sábado, fevereiro 24, 2007

POESIA CAIPIRA (uma pérola)


* A VEÍCE *

Vô contá como é triste,
vê a veíce chegá,
vê os cabêlo caíno,
vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano,
com priguiça de andá.
Vê "aquilo" esmoreceno,
sem força prá levantá.
As carne vão sumino,
vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As oiça vão encurtano,
vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.
A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço,
dói as perna,
dói os dedo,
dói a mão.
Dói o figo e a barriga,
dói o rim, dói o pulmão.
Dói o fim do espinhaço,
dói a corda do cunhão.
Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo,
benza Deus e agradece,
correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.
No tempo que eu era moço,
o sol prá mim briava.
Eu tinha mil namorada,
tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita,
da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia,
chega o bichim desbotava.
Mas tudo isso passô,
faz tempo ficô prá tráis
as coisa que eu fazia,
hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo,
de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.
Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça.


Poesia em linguagem de matuto (caipira, gente da roça).
(recebida, via e-mail, do meu querido Amigo Gilinho)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Rosas de amor...

Eram rosas as flores que me deste
Quando junto de mim chegaste
Com um ramo bem florido
Atado com uma fita de cetim
Que ainda guardo comigo.

Disseste ser para lembrar
O dia em que nos conhecemos.
Já foi há tanto tempo!
As rosas murcharam há muito


A fita, que ainda guardo
Na caixinha que me deste
Cheia de bombons
Para me adoçares a boca
Com as palavras que dirias
Naquele dia tão distante.

Como nunca me tinhas dado
Tão belas rosas de amor
Pensei que tinhas ficado
Preso ao nosso amor
Ao maldito amor que me tinhas.

Porque logo de seguida
Verteste o fel que em ti havia
Disseste que aquele ramo
Punha termo ao nosso amor
Que tão infeliz te trazia.
(Laura)

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Que bom foi ...

Que bom foi encontrar-te
Naquele dia enevoado
Junto ao mar bravio,
Vieste sentar-te a meu lado.

Naquele grande penedo
Sobranceiro ao mar,
Olhei-te incrédula
E já nem senti medo …

Mandei ao ar as convenções
Do fica bem ou fica mal …
E por quaisquer razões,
Falariam sempre mal …

Assim, aceitei o teu abraço,
Deixei que me enlaçasses,
E senti-me bem a teu lado,
E senti que não era pecado.

Não era pecado não …
Realizar um desejo,
Que era apenas ilusão e, sozinha,
Abandonei o paredão.

(Laura)

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

O coito do Morgado

Estávamos em 1982 e a Assembleia da República debatia a despenalização do aborto. O então deputado do CDS, João Morgado, argumentou: «O acto sexual é para ter filhos». Natália Correia (na altura deputada do PS) subiu à tribuna para responder com um poema muito original. As gargalhadas obrigaram à interrupção dos trabalhos.


Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
(Natália Correia)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Pomba mensageira





Ei-la que chega...
sonhei com ela
no bico trazia
um ramo d/oliveira

Pousou em cima
da minha pereira
que nem tinha peras,
mas vinha feliz...

Por trazer notícias
de quem há muito
deixei de ter...
e estava a ver

Que essa pessoa
já me ia esquecer
de tão prolongado
o seu pouco dizer.
(Laura)


segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Todos os caminhos vão dar a ti …




Todos os caminhos…
Vão dar a ti.
Por mais que tente
Por mais que procure
Andar por outro lado,
Vou sempre no meu passo
Apressado, ter onde tu estás ...
Desculpa amor,
Não sei outro caminho
Que mais longe ou pertinho
Não vá dar a ti!
Por vezes penso,
Que mais valeria,
Mudar de via…
Tentar passar para outro lado
Onde nem saibas de mim
Nem eu de ti ...
E quem sabe assim, conseguiremos
Expulsar o amor que viver não podemos ...
Talvez assim …
Deixaremos de sofrer!!!
(Laura)

segunda-feira, janeiro 29, 2007

De Amor nada mais resta ...


De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

(Natália Correia)

sábado, janeiro 27, 2007

Varre, varre, vassourinha ...



Varre, varre, vassourinha ...
diz a "gata borralheira",
ajuda a tua amiguinha
a deixar esta canseira!

Responde a vassoura atrevida ...
num dialecto ofegante ...
desde manhã ao sol posto ...
nem escravo nem gigante!!!

Varre, varre, vassourinha ...
antes assim que mais mal.
Se varreres bem, ganhas um vintém ...
se varreres mal, ganhas um avental!



Contesta a vassoura em voz alta ...
naquele seu modo estérico:
- pois em vez de um avental ...
compra um aparelho eléctrico!

E a safada vassourinha ...
sem vontade de bulir ...
deu por concluída a tarefa,
e saiu, sem se despedir !
("pascoalita borralheira")

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Bom dia, Rosa em botão :-))


Inspiração adegueira:

Bom dia, Rosa em botão,
Flor do nosso jardim,
Que de manhã pla tua mão
Recebemos bons dias assim,

Tão bonitos, graciosos,
Tão suaves e brilhantes,
Pões nossos corações airosos
E no dia...diamantes!

Bom dia, Rosa, bom dia,
Para esse jardim encantado,
Vestido de brocado leve...

Fica meu dia mais breve,
De pétalas de flores guarnecido,
Mais formoso e acalentado.

(resposta da "Adegueira Madre" ao "Bom Dia" da Rosinha)


domingo, janeiro 21, 2007

O Amor e o Tempo !!!


A vida é um instante. O ontem já passou. O agora que acabei de escrever também acabou de passar. O amanhã será, mas quando for deixará de ser. Assim é o amor que a cada instante se renova, que a cada minuto se transforma, que a cada dia se veste de maneira diferente.

O amor é o sentimento mais dificil de compreender, pois quando se ama não se quer perder e a cada mudança fica mais dificil crer pois a harmonia do amor é muito complicada de entender.
Tudo muda, tudo passa, entretanto, o amor permanece, não mais comigo, nem contigo, mas com alguém que o conquistou!

(navegando por aí, tropecei nestas verdades ... desconheço o autor)


Todos nós buscamos ...


(clique na imagem para ler a mensagem)

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Caminho de rosas ...



Gosto tanto de passear
Entre caminhos de rosas
Ladeadas de verdes ervas,
apenas…
Gosto de lhes sentir o olor
Suave, nas madrugadas.
Em que não consigo dormir,
e, errante, ando por lá.
Lá no meu jardim dos desejos,
onde nem tudo são rosas.
Encontro muitos espinhos
Cravados na minha carne.
Que deixam minha alma a sangrar,
me deixam sempre exausta,
Como se nunca mais ...
fosse acordar !!!
(laura)