domingo, maio 27, 2012

A rua dos cataventos



 Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
       (Mário Quintana)

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Presépios em cerâmica

Sou fã do artesanato em geral e da cerâmica em particular, ficando verdadeiramente maravilhada com a perfeição de algumas peças.

O original Presépio feito com cascas de cebola que o Amigo Zé do Cão partilhou connosco, despertou a minha curiosidade, levando-me à redescoberta deste site

As "minúsculas esculturas" representando cada cantinho do nosso país, são tão ternurentas...

Apenas alguns exemplos:




















































Votos de um Santo e Feliz Natal a quem por aqui passar


terça-feira, outubro 04, 2011

Passeio aos Açores

Hotel Caracol, onde ficámos instalados 2 dias, enquanto visitámos a Ilha Terceira.












Serra do cume (à esquerda) e Angra do Heroísmo, vista do Monte Brasil.




Pico-Madalena, Hotel Caravelas, onde lamentei não ter comigo o fato de banho eheheh













Pico-Madalena (vista do barco durante a travessia Faial-Pico)
e a marina da Horta (à direita)













S. Roque do Pico - piscinas naturais e o monumento aos baleeiros




S. Miguel- Lagoa das Furnas












Loja de artesanato (à esquerda) e algumas fumarolas das Furnas











S. Miguel - Lagoa das 7 cidades e um dos recantos do bonito jardim do Hotel Terra Nostra, onde fizemos um percurso a pé, após nos ter sido servido o famoso cozido eheheh





Ponta Delgada, Hotel Lince













Ponta Delgada (portas da cidade) e marina



Nota: Foram dias magníficos! Vale a pena visitar o Arquipélago e à parte alguns chuviscos, apanhámos bom tempo. Os açoreanos são simpáticos e acolhedores.

Apetece-me repetir o que fui dizendo aos companheiros de viagem, enquanto usufruía do passeio: "vida de turista é bommmmm" !!!



quinta-feira, setembro 08, 2011

Feijão "Perolinha"

Sou fã desta leguminosa que conheço desde criança pelo nome de "feijão perolinha" e sempre estranhei que fazendo parte da alimentação diária no interior do país, nomeadamente nas Beiras, é praticamente desconhecida no meio urbano, onde nunca a encontrei à venda.

Após breve pesquisa, descobri que no Brasil é conhecido por "feijão-caupi" ou "feijão-corda", entre outros nomes. Parece-me uma variante do vulgar "feijão frade", daí que também lhe chamem "feijão fradinho".

Este ano convenci o meu "hortelão" a semear alguns grãos no quintal e chegou a altura de apresentar o resultado da experiência.

Em tempo de crise há que explorar todos os recursos e está previsto o aumento de produção na próxima colheita ... pelo andar da carruagem, ainda alugo uma banca na "Feira da Malveira" eheheheh



domingo, agosto 28, 2011

Gato com mania de pássaro


O "Traquinas"é um bichano siamês, ainda jovem, que há cerca de 1 ano, então pequenino, apareceu num quintal próximo desabitado e que eu recolhi, prestando-lhe alguns cuidados, só não tendo ficado na família porque o meu Hortelão se opôs, argumentando que 3 habitantes de 4 patas cá em casa eram mais que suficientes! Foi depois adoptado pela D. Elvira, uma senhora idosa que possui mais 2 bichanos.

Raramente é visto na rua, talvez porque porta sim, porta sim, há um rafeiro à espreita e foi exactamente na sequência de uma perseguição entre cão e gato, que o coitado para se esquivar do rafeiro "black" trepou, trepou, trepou, até se sentir bem seguro no topo do poste telefónico a 2 metros de casa.


A Dona, preocupada, percorria a rua para cima e para baixo chamando, mas do "Traquinas" nem sinal! No alto do poste, talvez envergonhado por tarde demais ter descoberto que os gatos não voam, o bichano permaneceu enroscado durante quase 30 horas! E ainda lá estaria, não fosse o alerta da dona do rafeiro que no dia anterior assistira à cena.

Após várias tentativas frustradas para o convencerem a descer pelos próprios meios, acabou por ser necessária a intervenção dos bombeiros.

Por fim tudo acabou bem ... mal sentiu terra firme, o "traquinas" disparou que nem foguete direito a casa, talvez pensando: Uffa! Desta já eu estou safo.


domingo, julho 24, 2011

Passeio à Galiza

Foram 3 fantásticos dias na Galiza! Agora entendo melhor a paixão do Amigo Zé do Cão pelo pais vizinho.

Começámos por visitar a Catedral de Santiago de Compostela, vimos o Museu da Catedral e a Igreja de Santiago...















O segundo dia foi dedicado à cidade da Coruña, que é lindíssima! Percorremos o Porto, visitámos o "Forte de San Antón", também conhecido por "Castelo de Santo Antón", a bonita Praça de Maria Pita, etc..

Depois de um delicioso almoço, foi-nos proporcionada uma visita guiada ao "Aquário Finisterra" e subimos até à Torre de Hércules, de onde se avista uma paisagem deslumbrante!























Tivemos ainda direito a um passeio de comboio, partindo de O Grove com destino à Ilha de La Toja e também em O Grove, foi-nos servida uma fantástica mariscada a bordo, a que se seguiu o tradicional baile da queimada.


quarta-feira, maio 11, 2011

O Palhaço





Reencontrei-o há dias, entre um amontoado de objectos esquecido no anexo do quintal, destino obrigatório de tudo o que cá em casa deixa de ter utilidade!


Foi executado por mim quando eu era uma "menina prendada" e na época em que ainda não tinha descoberto a Internet. Fez parte da decoração do quarto dos pequenos durante um tempo, mas tinha-lhe perdido o rasto, ou para ser mais exacta, já nem me lembrava da sua existência.




Depois de limpo, precisa apenas de uns retoques na moldura e quem sabe não voltará a ter lugar de destaque na parede de um quarto de criança ?



sábado, abril 23, 2011

Uau! Temos novo "cortiço"

Ela - Temos de comprar uma caminha nova aos bichanos!
Ele - Não! Alguma vez tu os lá seguras?
Ela - Compro uma bem fofinha ... quando sentirem o conforto, não querem outro sítio.
Ele - Não compras nada ... é desperdício de dinheiro.

Nós - Não que não gostamos!
Bem, aqui entre nós, baixinho ... não ficaremos por cá o tempo todo, mas apenas o necessário até ela ganhar a aposta. Depois, quando sentir aquele cheirinho característico de comida ao lume, se eles estiverem distraídos e o cesto do pão vazio ...














sábado, abril 02, 2011

"Pão Escuro"

Veio da Areia, Cascais! A sua dona chamou-lhe "Ritinha" mas quando nos adoptou, foi rebaptizada de "Negrita", embora o primeiro nome seja o mais usado cá em casa.

Gosta de subir para a bancada e ficar a ver-me cozinhar ...

Hummm pedra fria! Dava-me jeito umas pantufas para aquecer as almofadinhas. Mas resolvo já o problema, enfiando-me no cesto do pão eheheh


(tal mãe, tal filha ... ou será o contrário eheheh)


segunda-feira, dezembro 27, 2010

Uma aposentada na cidade ...

Enquanto desempenhei a minha actividade profissional, acumulada com as funções de esposa, mãe e dona de casa, lamentei sempre a falta de tempo que de tão exíguo nem me permita gastar as solas dos sapatos no calçadão da capital! Fui acumulando desejo atrás de desejo, cuja realização era sistematicamente remetida para o futuro, para o dia em a almejada reforma me haveria de devolver a disponibilidade!!! Planos eram mais que muitos e esse dia chegou recentemente.

Após alguns dias de descanso na casa de campo, residência permanente há já vários anos, chegou o tão ansiado dia de voltar à cidade, agora na qualidade de "aposentada". Durante a viagem, fui planeando, mentalmente, o meu dia:

- Pelas 10h tomaria café com a ex-colega, a nina "africana", aproveitando para me libertar do saco das nabiças fresquinhas, apanhadas de manhãzinha pelo meu hortelão; o outro saco, igualmente volumoso, também mudaria de mãos um pouco mais tarde, quando o filhote se encontrasse comigo, como estava combinado.
Uma curta visita à minha amiga Inês, fazia igualmente parte dos planos, almoçaria uma "chandocha "no "Molha o bico", desceria a pé até à baixa, a fim de trocar o presente de Natal que o meu caçula rejeitara, seguir-se-ia uma passeata até à Sé, uma ideia que me ocorre há muito, tendo inclusive incluído a máquina fotográfica na mala e decerto ainda sobraria tempo para entrar numa loja, imaginando-me já de posse de sacos leves e coloridos, bem mais fáceis de transportar, sobretudo se contêm "miminhos" para nós" eheheheh. Por fim, apanharia o Bus que me levaria a Miraflores, onde o meu hortelão ficara de me esperar, para uma consulta conjunta no instituto de oftalmologia (tudo muito bem calculado eheheh)

Porém, os planos saíram furados e acabei por passar um dia péssimo, maldizendo a capital e chegando mesmo a jurar tão depressa não voltar eheheh

A primeira parte do plano correu como previsto. Depois da "chandocha" engolida à pressa, mudei de tasco e aí bebi um café na companhia da nina Africana, libertei-me de um saco, mas tinha-me esquecido completamente que combinara recolher um outro, que continha os meus últimos haveres deixados na chafarica, ficando assim na posse de 2 sacos de novo! Não fosse esse facto e rejubilaria ao ser informada do cancelamento do meu encontro com a Inês, o que me deixaria mais tempo livre para a passeata.

13:00 horas:
- "Mãe, não posso ir ter contigo ... deixa lá, não troques o cachecol" !!!

O SMS funcionou como uma dose dupla de um poderoso sedativo! Que fazer agora? Sentava-me num snak ou restaurante? Seria boa ideia, se não estivesse sem fome e àquela hora não estivessem todos cheios! Um banco de jardim seria boa ideia noutra altura do ano, mas o tom cinzento-escuro e as núvens negras que pairavam sobre a minha cabeça, depressa me desencorajaram. Que faria até às 16 horas?

Em passo lento desci a Av. Duque de Loulé, enquanto me questionava se seria sensato caminhar nas ruas da baixa de Lisboa, carregada com aqueles 2 gordos sacos. No quiosque do Marquês de Pombal comprei uma revista e quando dei por mim estava sentada na paragem da Rua Joaquim António de Aguiar, onde permaneci triste, frustrada, desiludida e gelada até aos ossos quase 3 horas, até que achei ser oportuno apanhar o Bus que me levaria a Mira-Flores.

E foi assim, inesquecível e fantástico, o 1º dia de uma aposentada na cidade eheheh

sábado, dezembro 11, 2010

Mas que atrevimento!

Olhem para este atrevimento!

Ainda não percebi porque razão cá em casa, nem os habitantes de 4 patas respeitam as minhas ordens eheheh

Digam-me se estou errada, ou se acham o cesto do pão apropriado para dormir uma soneca ... é que neste dia, a "Fininha" parece ter achado que sim eheheh




quarta-feira, dezembro 08, 2010

Fim de percurso antecipado

Fiquei desligada do Serviço a 30 de Novembro p.p., mas como sempre afirmei não querer festa de despedida, algumas manifestações de amizade foram ocorrendo à medida que a data se aproximava eheheh

Assim, em Agosto, o primeiro grupo de colegas fez questão de me acompanhar num almoço (devo dizer que me soube a pato ... acho mesmo que uma pena se mantém até hoje alojada num dente eheheh), tendo sido presenteada com este bonito ramo de flores.

Deixo aqui um beijinho de gratidão a todos: Arlete, Celeste, Isa, Isabel, Joana, Kinita, Paulo e Teixeira ...



terça-feira, novembro 23, 2010

Preparando o novo ciclo ...

Aproximando-se o termo de um ciclo que durou 37 anos, é chegada a hora de substituir as ferramentas de trabalho, para enfrentar a nova etapa ...

Seguindo o conselho de um sábio e sensato Amigo, tendo mentalizar-me que o melhor que tenho a fazer é largar as "hortinhas virtuais" e voltar a dedicar-me à jardinagem.

E para me auto-convencer, já fui adquirindo alguns utensílios eheheh



sábado, novembro 20, 2010

Talentos e bugigangas

O Carmo entrou para a família há cerca de 15 anos, quando a prima Alcina nos comunicou que haviam decidido "juntar os trapinhos". Exercia na altura a sua actividade profissional no ramo automóvel, embora tivesse experiência noutras áreas.

Numa das primeiras visitas a minha casa, apareceu carregado de pequenos objectos que executava nas horas livres, que depois eram entregues em lojas à consignação, ou por ele vendidos nas feiras directamente ao público. É espantoso como nas suas mãos o mais insignificante objecto tem utilidade e tudo acaba por ser reutilizável!

Quando passou à reforma, por não dispor de um espaço adequado e soube que decidira mudar-se de malas e bagagem para a terra natal da prima Alcina, uma aldeia beirã a mais de 400km de distância da capital, duvidei que o alfacinha se adaptasse e acreditei que a estadia se resumisse a 1 ou 2 meses, até porque a companheira mantém residência e trabalho em Lisboa. Mas a verdade é que decorridos 3 anos, está perfeitamente adaptado e das suas mãos continuam a sair pequenas criações a que eu, brincando, chamo "bugigangas" ahahahah

Desconheço em que altura da vida o primo Carmo descobriu este talento, sei que alguns se manifestam tardiamente. No meu caso, se fui dotada de algum, há anos que aguardo um sinal heheh




quinta-feira, setembro 23, 2010

Miminhos de Arouca

No passado mês de Agosto, a nina Parisiense esteve em Lisboa, numa das muitas visitas que faz frequentemente aos padrinhos, como ela mesma referiu no seu Blogue.

Desta vez não foi possível um encontro com a Pascoalita, mas deixou-me estes deliciosos miminhos, que acabaram por fazer enorme sucesso numa certa mesa de aniversário, algures em Cascais.

As miniaturas de "pão de ló", a que chamam "melindres", já eram conhecidos de alguns convivas, mas a "morcela doce" despertou grande curiosidade e na hora de distribuir parece ter ocorrido algo semelhante ao "milagre da multiplicação dos pães", já que esta minúscula amostra chegou para cerca de 30 pessoas provarem eheheh

Obrigada, Amiga :)* . Espero em breve poder apreciar um destes doces, na tua companhia e já agora servido a preceito, acompanhado de um bom vinho verde regional. Não é assim?




segunda-feira, agosto 16, 2010

Parabéns, Leãozinho


Breve interrupção na PAUSA a que este espaço tem estado votado, para registar o Aniversário de um Amigo muito querido, a quem desejo muita Saúde, Paz e Amor!!! Que a vida te continue a sorrir ...

É verdade!!! O nosso vizinho Zé do Canito hoje é pequenino eheheh

Que continues a desfrutar de bons momentos de felicidade, hoje e sempre!!!

Um xi-coração da Pascoalita




P.S. Pronto! Ouçam AQUI a sugestão da Cusca endiabrada, a miúda mais irrequieta da blogosfera eheheh


segunda-feira, junho 21, 2010

Hortas: As minhas e as dele ...

Como já deu para perceber, segui os passos do meu hortelão e há 3 meses que me dedico à agricultura (virtual, claro eheheh)

Apresento 2 exemplos bem ilustrativos da nossa extremosa dedicação ...















sábado, abril 10, 2010

O Folar da Avó Ana


Um pequeno texto, humilde contributo com que participei na Blogagem Colectiva do mês de Abril, na Aldeia da Minha Vida, desta vez alusivo ao tema "A Páscoa na minha Aldeia". Os textos participantes podem ser lidos, comentados e votados aqui.

(Imagem da Internet)

Da Páscoa da minha infância, na aldeia, de onde saí muito cedo, guardo apenas vagas recordações. Resumem-se a lembranças que envolvem actos religiosos e em que as crianças aproveitavam a pausa escolar para correr pelos campos e desfrutar dos primeiros sinais da Primavera.

Foi já na capital, onde vivi a minha adolescência, que me familiarizei com alguns costumes usuais da quadra e que até ali pouco me diziam ou simplesmente desconhecia, como seja por exemplo a tradição da oferta das amêndoas aos afilhados.

No 2º andar do prédio onde eu habitava, morava uma senhora alentejana, de Ferreira do Alentejo, com duas netas mais novas do que eu, que ao primeiro contacto, me adoptaram e com quem passei excelentes momentos.

A avó Ana era daquelas senhoras, tipicamente alentejanas, que tinha sempre a porta aberta e mais um lugar à mesa e a quem todos recorriam e nos fazia sentir parte da família.

Ainda hoje recordo, com emoção, a primeira vez que a vi colocar sobre a enorme mesa que mantinha sempre aberta na marquise, um tabuleiro contendo 3 douradinhos folares, cada um com seu ovo “semi-escondido”, acabadinhos de sair do forno, um dos quais se destinava à neta emprestada … EU!

O ritual repetiu-se durante alguns anos, tornando-se tão banal que só muito tempo depois, quando a “avó Ana” já não estava entre nós, nos apercebemos, com tristeza, que nenhuma das netas, incluindo eu, aprendera a fazer a receita.